27/08/2017
NOTA DE REPÚDIO
Você sabe o que é "revenge p**n"? Alguma amiga sua, ou até você mesmo, já teve os "nudes" vazados? Você já participou de um grupo de Whatsapp, no qual compartilharam imagens íntimas de alguém sem seu consentimento? Infelizmente, o Band não está livre de episódios do gênero, já que, mais de uma vez, garotas do colégio tiveram conteúdo pessoal desse tipo espalhado. Abordar e debater formas de solucionar a questão é de extrema necessidade. Afinal, são inúmeros os casos de suicídio motivados pela p**nografia de revanche, o que pode ser classificado como um relevante problema social. Por trás da atitude repugnante de quem divulga imagens de outra pessoa sem seu consentimento, se esconde um machismo fortemente enraizado na sociedade.
A mentalidade de que seria vergonhoso garotas terem conversas de teor sexual, seguida pela reprodução de discursos moralistas e misóginos, os quais culpabilizam as vítimas, é responsável pela humilhação feminina e impunidade masculina. A vítima é constantemente alvo de julgamentos morais e de preconceito, já que para a sociedade machista é inconcebível que mulheres tenham liberdade sexual ou sejam tão livres quanto os homens para explorar suas sexualidades. Dentro do Band, episódios assim acabam sendo ainda mais graves. Por ser um ambiente menor e muito integrado, as fotos se espalham mais rápido, o julgamento vem de todos os lados e a garota pode se sentir isolada, humilhada e com sua integridade física e psicológica prejudicada.
O "revenge p**n", por mais que tenha esse nome, pode ser motivado por mais do que meramente vingança. Pode ser uma tentativa do garoto de se autopromover entre os colegas, expor a existência de sua vida sexual ou constranger a garota por qualquer que seja o motivo. No entanto, como seria possível alguém se autopromover por algo se não houvesse o apoio e a aprovação das pessoas com quem o conteúdo é compartilhado?
Dentro do colégio, é muito importante que o diálogo sobre essas motivações e o machismo escondido por trás delas seja sempre aberto e que, dentro do contexto educacional, a educação de gênero esteja sempre presente. Mas, além das atitudes da instituição, cada um de nós pode fazer a sua parte! Não compartilhar o conteúdo vazado, quebrando a corrente de divulgação, dar suporte a vítima e não fazer nenhum juízo de valor sobre o caráter ou atitude da garota são atitudes extremamente necessárias. Devemos, além disso, repudiar frases, como: "ninguém mandou mandar nudes" ou "ela deveria saber que não podia confiar nele", ditas após o fato ocorrido. Isso, porque, elas apenas desviam a responsabilidade do infrator e afetam ainda mais a condição psicológica da vítima, que se sente desamparada. É importante que nos lembremos que a culpa nunca é da garota exposta!
É essencial também que todas nós, garotas, saibamos que existem atitudes legais que podem ser tomadas contra a divulgação de nosso conteúdo íntimo. Existe a possibilidade de retirar a mídia de circulação e punir o responsável nos termos da lei. Isso, porque, vazar "nudes" é considerado cibercrime e o infrator pode responder por injúria ou difamação.
O Coletivo Tuíra está sempre de portas abertas para dar assistência psicológica para vítimas do "revenge p**n" e aconselha-las da melhor forma: seja sobre como procurar orientação jurídica ou sobre como entender que não há razão para sentir vergonha ou culpa.
Seguiremos juntas, meninas! Mexeu com uma, mexeu com todas!