01/09/2026
Censura contra quem você não gosta continua sendo censura.
Ontem o TSE censurou a campanha de um candidato à Presidência. Suspendeu a propaganda, bloqueou a verba e proibiu a sua participação nos debates. Um ministro decidiu isso sozinho, de ofício, sem esperar o julgamento do mérito. A justif**ativa utilizada foi uma falha no registro: perfis informados fora do prazo. A irregularidade até existe, e a lei já prevê como tratá-la, com multa ou prazo pra corrigir. O ministro passou por cima dessas opções e foi direto na medida que inviabiliza a candidatura, contra um partido pequeno, sem tempo de TV e sem fundo, que dependia das redes pra fazer campanha.
A falta de critério f**a evidente quando se olha para quem cometeu a mesma falha. A deputada Sâmia Bomfim (PSOL) foi às redes elogiar a decisão e acusar o Missão de "burlar as regras eleitorais". Ela escreveu isso de perfis no Twitter e no TikTok que somam quase 1,7 milhão de seguidores e que ela, 25 dias depois de registrar a candidatura, ainda não tinha informado ao TSE. Nikolas Ferreira também aparece com perfis de uso eleitoral fora do registro inicial. As redes de nenhum dos dois foram derrubadas. As do presidenciável do Missão, sim.
Vale lembrar quem assinou a decisão. Foi o mesmo ministro que, meses atrás, deixou a relatoria do caso do Banco Master depois que a Polícia Federal encontrou mensagens dele com Daniel Vorcaro e pediu sua suspeição.
E há um contraste ainda maior. Pelo país, tem gente condenada, com ficha na Justiça e com ligação a facções crminosas disputando eleição sem nenhum incômodo. Contra esses, o TSE não suspendeu campanha nem cassou registro. Um formulário atrasado basta pra derrubar um candidato a presidente. Uma ficha criminal, aparentemente, não.
Quando uma regra que tinha como objetivo promover a transparência é usada pra escolher quem sai e quem f**a, o alvo de ontem não é o limite, é o começo. A mesma medida que derrubou uma campanha agora está disponível pra ser usada contra qualquer candidatura, de qualquer campo, na próxima vez que incomodar.
Juventude Livre