20/11/2024
As narrativas históricas podem ser repensadas.
Neste dia da Consciência Negra passo aqui
para dizer que o vinte de novembro, data que celebra Zumbi,
se comemora o lutar. É preciso ter consciência da história,
me permitam de lembrar:
Uma vez no Continente Africano,
os senhores de ultramar não temiam em ultrajar,
buscando no traficar em África
os ancestrais escravizados por irmãos equivocados,
foi uma profusão de amores desfeitos, entre dores,
lares violados, desmanchados, famílias e vidas destruídas,
foram entregues sanha dos “civilizados”.
Aos que viveram o não retorno,
invocaram aos vis algozes
que voltassem ao inferno (que trouxeram),
suas almas queriam salvar,
seus corpos, ...queriam usar.
Suas almas ficaram em África,
seus corpos beijaram o mar.
Sob jugo, despojados e oprimidos,
sofreram, pois, Filhos de Zambi
que nos tumbeiros foram trazidos
singrando a Kalunga grande
para em Pindorama aportar.
Senhores do Velho Mundo em sua sede de conquista,
nas aventuras de ultramar, buscando riquezas e glórias,
que no brilhar do fogo e o reluzir do ímpio gume,
trouxeram morte para ingênua gente do Novo Mundo descoberto,
na lúgubre sombra da vera cruz.
Aqui viviam Povos Originários; Nestas Terras de Tupã vicejava o Pau-Brasil. Iludidos e esbulhados, logo em massacres subjugados para que suas almas se salvassem. A liberdade foi banida a força, em nome da ganância; Os nativos foram massacrados em suas terras, e a Colônia foi fundada, somando-se a estes, os negros trazidos ao Brasil na condição de escravizados.
Feito coisa fui tratado, avaliado, fui vendido, leiloado, para o eito ou casa grande fui levado, a mim mesmo abandonado, e por vezes da bela dona acompanhado, resistindo e enfrentando de alma livre a minha sorte malfadada.
Remoendo no trabalho do engenho, trago aqui a recordação que tenho:
A amargura do açúcar gerou a capoeira e a cachaça, a primeira é a que lutava, e a outra que pingava e curava, afastavam qualquer ranço, trazendo alegria e até descanso, criavam e curam até hoje os amores dos homi e das muiés. Efêmero foi o vislumbre de liberdade em Palmares que Zumbi imortalizou.
Bandeiras e imitadores do trovão ao ameaçar atear fogo as águas da Terra-Brasilis que se apossavam, finalmente o ouro que desde muito cobiçavam, por aqui foi encontrado, e para que fosse explorado e daqui surripiado, no auge da escravidão. Negros braços foram forçados a coletar e entregar o tal achado. Estando as jazidas de ouro a se esgotarem, cogitaram tais gajos europeus a buscarem outra fonte a ser explorada e com muito afã torrariam e queimariam também o café, e ao fim deste Ciclo veio a abolição da Escravidão.
E daqui sigo em prosa, muito há pra trabalhar.
Com a Lei Áurea, veio a falsa liberdade pois foi negado ao Povo Negro o direito a se estabelecerem ajustarem-se aos novos tempos. Colonizadores cientes de que certamente essas pessoas viriam a cobrar as injustiças sofridas, incentivaram a imigração de seus conterrâneos e outros povos do Velho Mundo para prosperarem nesta mesma Terra que aos Nativos tomaram por conquista. Segue-se a intensificação de apagamentos e silenciamentos intencionais na história e cultura não Europeia em detrimento das culturas agora Indígenas e da Africana trazida à força para cá; Visavam minimizar infame crime na tentativa de justificar o real genocídio perpetrado, uma vez que é impossível negar o óbvio.
Mesmo assim e desde antes e então, Nativos e Negros que lutaram para que seus covardes senhores assegurassem lugares na história, são sistematicamente negados em seus feitos. Ainda não nasceria daí a Liberdade, porque a exploração precisava continuar. Teve lugar ainda o Ciclo da Borracha que viria a enriquecer a outros poucos exploradores. Depois disso e até hoje vivenciamos a exploração laboral e intelectual e sistematicamente a econômica, a despeito das ancestralidades e etnias... nos terreiros entre penachos e tambores tem milho feijoada acarajé e cocada, tem samba cachaça e batucada é o Dia da Consciência Negra a ser exaltada. Asè.