18/10/2017
NOTA DE REPÚDIO À VIOLÊNCIA E À INTOLERÂNCIA DAS FORÇAS CONSERVADORAS LEGISLATIVAS PONTA-GROSSENSES
Nas ultimas semanas, após o lançamento da grade de artistas que comparecerão à 28ªMunchen Fest, reconhecemos os discursos conservadores e violentos sobre a vinda da(o) cantora(or) Pabllo Vittar. Sua confirmação trouxe enunciados vazios e machistas de toda uma sociedade historicamente construída, limitada e perpetuada. Nossa fala não é unicamente às inconvenientes falas dos nossos atuais representantes, é por toda uma vida de silenciamento, agressão e hipocrisia que vivenciamos em nossa cidade. E é por acreditar no melhor de nossa região e por construir espaços democráticos, como deveria ser este, que nós deixamos bem escurecido, como diria segmentos do movimento de negros e negras, ou bem estabelecido que não iremos mais nos calar! E, ocupar espaços com nossa presença não significa confrontar igualmente com violência, com essa irresponsabilidade nós não compactuamos. É expressar legitimamente que nós existimos e resistimos nessas Avenidas, que colaboramos para construção com nosso suor, mas que ecoa machismo e amordaça ás vozes das Corinas.
A responsabilidade com a transparência financeira e o senso musical da maioria ponta-grossense, torna-se extremamente relevante para o desenvolvimento econômico, social e político de nossa cidade. Entretanto, quando os tesouros municipais são destacados com veemência e projetos para Igrejas utilizarem espaços públicos como a Arena são disponibilizados, nossa argumentação não passa de oportunismo e imaturidade.
Quem pode lamentar insatisfações é quem está inserido em contextos menosprezados, por todas as identidades que afirmamos, de gênero, raça, etnia, sexualidade, classe social, etc. Não “lamentamos por quem trouxe esta pessoa para uma cidade de família”, uma artista Drag Queen, homossexual, nordestino, participante do Rock in Rio 2017, dona de um perfil na renomada revista internacional Billboard, que superou marcas mundiais de reconhecimento da arte Drag, lamentamos rigorosamente pela exposição midiática agressiva que à ela foi dedicada. Isso não se trata de investimento público, trata-se de uma fobia social, a lgbtfobia. Afinal, se dinheiro público fosse o norte deste ocorrido, matematicamente entenderia-se que o sucesso de determinada artista traz consigo riquezas para a economia dos Campos Gerais.
A cidade onde “todos são conservadores, pais e trabalhadores” não existe no mundo real. Isso é a fantasia da alienação. Não podemos generalizar nossos enunciados, nossas mães, pais e familiares lutam conosco pela sobrevivência e emancipação de nossos próximos, nossas escolas constroem um trabalho árduo para conquistar o respeito e democracia em nossa cidade. Por isso, não somos uma cidade universalmente conservadora e violenta. As minorias nessa cidade existem e resistem, jamais deixaremos de lutar pelo bem estar e pelas políticas públicas municipais dos interesses de qualquer minoria social e política.
Nós exigimos respeito e uma nota da Câmara Municipal de Ponta Grossa, contra os ataques de LGBTfobia e discriminação contra artistas que não manifestam-se com padrões heteronormativos.
Entender e ocupar espaços como cadeiras governamentais, é entender que não fazemos políticas somente a homens, heteros e brancos. O debate de recortes sociais deve estar perpassado por todos os estudos, inclusive o econômico da nossa região. Por isso, legitimem esses espaços que ocupam para transformar nossa cidade em uma cidade literalmente de Ponta, livre de qualquer violência ou opressão. Pois quando essa é reproduzida por nossos representantes, a repulsa e desinteresse pela política é inevitável.
Assim, isso é um aviso de uma multidão que parecia não existir, e a partir de hoje em diante não voltarão para nenhum fogão, armário ou senzala.
Não estamos pedindo sobreposições de poder, estamos pedindo o básico direito ao respeito e dignidade, direito a humanidade!
Não podemos terminar nossa manifestação se não for com uma única e estimada mensagem:
“Sempre fui guerreira, mas foi de primeira
Me vi indefesa, coração... coração não perdeu a luta não!
E vou dizendo:
Tudo vai ficar bem
E as minhas lágrimas vão secar
Tudo vai ficar bem
E essas feridas vão se curar”
-Pabllo Vittar
A luta continua!
DCE-UEPG Gestão Desatando Nós
GUDI
UMESP-União Municipal dos Estudantes Secundarista Pontagrosses
CASSD- Centro Acadêmico de Serviço Social Divanir Munhoz
PODECÊ
GATARIA
LEAUÊ
COLETIVA SAPATARIA
MARIE CURIE
MALALAS