10/06/2026
A recusa em comprar farinha de trigo de uma empresa indicada por criminosos custou a vida de Rafael Oliveira Braga, dono de uma padaria na Zona Oeste do Rio de Janeiro. De acordo com a Polícia Civil, ele foi executado depois de rejeitar a imposição de fornecedores ligados a grupos arm4dos que atuam na região. O caso foi revelado pelo Fantástico.
O crime ocorreu em março do ano passado, em frente ao próprio estabelecimento da vítima. Para os investigadores, o ass4s1inato simboliza a forma como milícias e f4cç0es têm avançado sobre atividades legais, transformando produtos básicos em fonte de lucro e instrumento de controle territorial. Dois homens apontados como integrantes de uma milícia foram indiciados pela morte.
A apuração policial indica que comerciantes de áreas dominadas por esses grupos perderam o direito de escolher de quem compram, quanto pagam e quais marcas oferecem aos clientes. Donos de padarias relataram que são obrigados a aceitar mercadorias definidas pelos criminosos, muitas vezes em volume maior do que o solicitado.
Quem tenta negociar com outros distribuidores ou se recusa a seguir as ordens passa a conviver com ame4ças, intimidação e risco de v10lência. Além de pressionar os empresários, o esquema também pesa no bolso dos consumidores, já que os itens vendidos por fornecedores impostos costumam ser mais caros e, segundo relatos, de qualidade inferior.
A farinha de trigo não é o único produto sob investigação. A Polícia Civil apura a interferência de organizações criminosas na comercialização de água mineral, gás de cozinha, frango assado, hortifrúti e outros alimentos essenciais.
Na última quarta-feira (3), agentes cumpriram 14 mandados de busca e apreensão em endereços ligados às empresas investigadas. Em um dos depósitos, foram encontrados produtos vencidos, o que levou à prisão em flagrante de um homem. Em outro local, os policiais identificaram alimentos armazenados de forma inadequada, próximos a fezes de animais.
Segundo os investigadores, o dinheiro arrecadado com esse mercado forçado alimenta o caixa das organizações criminosas, usado para comprar arm4s, pagar integrantes e ampliar o domínio sobre comunidades do estado.