05/02/2019
Referente às eleições de 1958:
“(...) As eleições para deputado estadual foram surpreendentes. Nominando Diniz, que era o prefeito do Município e contava com o apoio do governo do Estado, lançou novamente a candidatura de seu filho Antônio Nominando Diniz, concorrendo pela CNL – Coligação Nacionalista Libertadora, para disputar a reeleição e continuar ocupando assento na Assembleia Legislativa do Estado. O grupo “Pereira”, por sua vez, lançou o filho do coronel José Pereira Lima e de dona Alexandrina Pereira Lima (mais conhecida como dona “Xandú”), o jovem médico, Aloysio Pereira Lima, nascido em Princesa em 23 de fevereiro de 1923 para, em sua primeira incursão na faina eleitoral, concorrer também a uma vaga de deputado estadual. Malgrado g***r, o grupo “Diniz”, de desmedido prestígio, tanto no âmbito estadual como na esfera municipal, viu derrotado seu dileto pretendente, tanto em Princesa quanto nas urnas do Estado. Foi, em sua terra, Antônio Nominando, superado em votos pelo conterrâneo e adversário político Aloysio Pereira, que obteve 2.983 votos (51,39%), sendo este, eleito deputado estadual pela primeira vez, assumindo uma cadeira na Assembleia Legislativa aos 35 anos de idade. Doutor Antônio foi sufragado em Princesa por 2.639 votos (45,46%). Nessas eleições, a onda pessedista que surpreendentemente reelegeu Ruy Carneiro, passou também por Princesa, provocando a completa derrota dos candidatos apoiados por Nominando. Antônio Nominando, que ficou na 2ª suplência, veio a assumir, mais tarde, uma cadeira na Casa de Epitácio Pessoa, sendo a primeira vez em que os dois adversários princesenses coabitaram, simultaneamente, a Assembleia Legislativa do Estado.
Nessa campanha, a disputa para os cargos de deputados estaduais em Princesa, caracterizou-se como se fosse uma eleição majoritária. Muitos comícios, passeatas e discursos inflamados. No meio de tudo isso, aconteceu um fato engraçado. Num comício do candidato Aloysio Pereira, realizado na “Rua Grande”, repleto de eleitores atentos às falas dos oradores, instalou-se de repente, uma confusão que mesmo sem ter nada a ver com a disputa eleitoral, tampouco com o ato cívico que acontecia, uma vez que envolvia dois desafetos que resolveram acertar as contas naquela noite, naquele lugar, causou grande tumulto quando um dos contendores sacou de um revólver e começou a atirar. Todos correram. Isso, mesmo no momento em que estava discursando Aloysio Pereira. Ao pé do palanque, postado de cara prá cima, ouvindo atentamente a fala do líder, estava um fiel eleitor que nunca perdia um comício. Notou doutor Aloysio que, em meio ao tiroteio, foi esse partidário o primeiro a correr. No outro dia, ao reencontrá-lo na rua, o deputado o inquiriu:
“Mas, Zé, eu confiava tanto em você, estando ali para me dar segurança e você foi o primeiro que correu...” ao que o eleitor respondeu: “Pois é dotô, o poblema é que os caba atira em Vossas Incelenças e a bala sempre pega em fulano de tá”. (...)”.