03/06/2026
QUEM TA FALANDO É O GRIZOTTI
Uma reportagem publicada pela revista Veja trouxe à tona uma disputa familiar envolvendo a ex-deputada estadual e pré-candidata ao governo do Rio Grande do Sul, Juliana Brizola. Segundo a publicação, a reportagem teve acesso ao inquérito aberto para apurar o caso, que teve origem em uma denúncia apresentada pelo tio da política, Alfredo Daudt Junior.
De acordo com a revista, Juliana foi indiciada pela Polícia Civil por “apropriar-se ou desviar bens, proventos, pensão ou rendimento da pessoa idosa, dando-lhes aplicação diversa da de sua finalidade”. A investigação apura a administração dos recursos financeiros de sua avó, Dóris Daudt, que morreu aos 98 anos.
A reportagem informa ainda que a denúncia aponta movimentações financeiras superiores a R$ 1 milhão e a contratação de empréstimos em nome da idosa. Conforme o relato publicado pela Veja, o denunciante sustenta que a mãe sofria de demência por corpos de Lewy e, por isso, não teria condições de gerir o próprio patrimônio.
A defesa da ex-deputada nega qualquer irregularidade e afirma que os recursos foram utilizados em benefício da própria idosa. Os advogados sustentam que as acusações fazem parte de uma disputa familiar relacionada à herança.
Nota da ex-deputada:
Não sou inimiga do meu tio Alfredo e nunca proibi o mesmo de visitá-la. Sou a neta que cuidou sozinha da avó, a mãe dele, pelos últimos 20 anos.
Eu era a responsável pelo cuidado da minha avó Dóris Daudt, com quem eu sempre tive uma relação maternal. Era a sua única familiar vivendo em Porto Alegre. Ela cuidou de mim e eu fiz o mesmo por ela, até o fim de sua vida. Dóris vivia com estrutura de homecare completa montada por mim (geriatra, fisioterapeuta, nutricionista, duas cuidadoras) e o mais importante: presença e afeto.
Não sei porque a delegada decidiu pelo indiciamento, essa pergunta seria melhor respondida pela autoridade policial. O ponto principal é que a acusação era frágil e, por isso, o Ministério Público devolveu o inquérito à delegacia, solicitando novas diligências. O próprio laudo médico mencionado foi contraposto por outros dois, assinados pela médica responsável por ela, que envio em anexo.
As transferências foram autorizadas pela avó em fase de plena lucidez. Época em que, por sua própria vontade, auxiliava financeiramente os familiares - inclusive Alfredo. Sobre os gastos, já realizei uma prestação de contas completa à Justiça, ao foro competente, pois não tenho nada a esconder.
A petição de curatela feita por Alfredo deixava claro que ele pretendia colocá-la em uma casa geriátrica, mudança que era contraindicada pela equipe médica. Toda família brasileira conhece essa história, do familiar que abandona o idoso e retorna quando há um interesse financeiro.
Trata-se de um caso de natureza familiar e íntima, que foi vazado para a imprensa gaúcha em outubro de 2025. Semanas após o ocorrido, minha avó sofreu um novo AVC e faleceu. Não há fato novo, tampouco razão que justifique o uso político de um episódio tão doloroso para a família.
Juliana Brizola