03/03/2023
No Brasil, estima-se que existam atualmente cerca de 88 milhões de hectares de terras subutilizadas, dos quais 72,5 milhões de hectares (82%) são áreas privadas, enquanto os outros 18% são terras públicas, incluindo terras indígenas, unidades de conservação, áreas militares e outros tipos de terras públicas.
Esses dados revelam uma realidade preocupante, uma vez que a subutilização de terras está diretamente ligada à degradação do solo. Quando a floresta é substituída por lavoura, inicia-se um processo contínuo de manejo para permitir o cultivo intensivo. Quando esse manejo não é adequado, as terras ficam subutilizadas. Em geral, a floresta oferece um nível muito maior de biodiversidade em comparação com a monocultura ou a pecuária. Inevitavelmente, ao longo dos anos, o solo perde produtividade. Os agricultores tentam mitigar esse processo de degradação do solo utilizando nutrientes e minerais químicos. No entanto, o cultivo de culturas de solo raso, que dependem de herbicidas, fungicidas e pesticidas, acaba quebrando a resiliência do bioma, fazendo com que o uso desses produtos seja cada vez mais intenso e em maior quantidade.
O solo raso apresenta outros fatores preocupantes, como o processo de lixiviação, que ocorre principalmente devido à compactação do solo causada pela utilização de máquinas pesadas ou pelo rebanho. Além disso, quando retiramos as plantas com raízes profundas e esterilizamos a biota presente, acabamos criando um problema retroalimentado.
Em suma, as raízes das árvores rompem o solo, aerando-o, quebrando pedras e puxando água, nutrientes e minerais da profundidade. Esses elementos são absorvidos e devolvidos ao solo através do processo de respiração (H2O) e pela queda das folhas sobre o solo. As folhas, galhos e arvores em si, imbuídas de nutrientes e minerais, são decompostas, principalmente por fungos e microrganismos, que habitam o solo da floresta em abundância. Estima-se que um corte de 10.000 m² de floresta a uma profundidade de 15 cm encontra cerca de 50 toneladas de microrganismos. Esses, por sua vez, criam uma rede de processamento de matéria orgânica. Como um gigantesco sistema digestivo, eles processam a matéria orgânica depositada na superfície e a entregam às raízes. Esse é o processo natural de geração de abundância da floresta. Como ainda não somos capazes de organizar a entropia florestal de maneira monocultural, não somos capazes de manter sistemas de cultivo intensivo de culturas únicas sobre o solo de maneira simbiótica e autônoma. Portanto, precisamos implementar nutrientes e outros subsídios de plantio para tentar replicar as qualidades presentes em solos abundantes.
abe-se hoje que as populações nativas de outrora criaram sistemas de agricultura simbiótica simbiótica com a mata, a TPI (terra preta de indio) é uma prova contundente desse manejo.
Hoje em dia temos a tecnologia a nosso favor porém a tecnologia empregada no setor agrícola as vezes restringe a atuação do campo a metodos especificos de cultivo, ou seja, encontramos hoje uma industria focada em um estilo especifico de plantio latifundiario de grande escala voltado a produção de comodities, a agricultura moderna só começou a se tornar mecanizada em meados dos anos 50 e 60, de fato houve uma crise nos anos 20, devido a falta de nitrogenio no solo por causa do uso indevido do solo, esta crise foi superada apenas pelo advento da ureia, ou melhor, a retirada de nitrogenio do ar. Isto possibilitou que o solo fosse manejado de forma a ter capacidade de produzir novamente após ter suas reservas naturais exauridas pelo plantio intensivo sem manejo adequado.
O cientista responsavel por essa invenção ganhou o nobel, pois sem isso a europa teria enfrentado uma crise alimentar que poderia ter extinguido grande parte da população. É importante ressaltar que a pesquisa original de Fritz Haber era voltada para produção militar, e por acaso acabou sendo fundamental para o desenvolvimento agrícola, em sequencia a isso tivemos a segunda guerra mundial, a industria americana focou sua produção para a area militar e com o fim da guerra estas companhias necessitavam modificar sua area de atuação, por tal, migraram para o setor agricola, utilizando motores e chassis das maquinas de guerra para o campo, assim surgiram as maiores industrias agricolas do mundo, de um lado americanas como dupont, john deer, cassey, massey e ferguson focadas em mecanizar o campo, e por outro lado alemãs como a bayer tomaram conta da produção de produtos agricolas.
No entanto, com o passar dos anos, a utilização intensiva desses insumos químicos acabou gerando problemas ambientais e de saúde pública. O uso excessivo de agrotóxicos pode contaminar o solo e os recursos hídricos, além de causar problemas de saúde para os trabalhadores rurais e para a população que consome alimentos contaminados.
O fato é que desde o desenvolvimento da agricultura moderna tivemos uma crescente demanda por produtos que outrora nem sequer existiam, como a ureia por exemplo, de certo modo é assustador pensarmos que em aprox. 60 anos tenhamos nos tornado tão dependentes de um sistema como a agricultura se tornou extremamente dependente destas industrias, de seus maquinários e insumos, é estranho pensarmos que a algumas gerações nenhum destes fatores existiam.
Talvez o segredo para aumentar a produtividade destas áreas subutilizadas não seja olharmos para frente apenas, mas também para trás, para outras metodologias de cultivo, abrangido novas possibilidades e trazendo estas percepções para a indústria, maquinário voltado para cultivos sintropicos, manejos de agrofloresta e rotação de culturas com menor impacto no solo já são uma realidade, mas ainda existe um longo caminho a ser percorrido, porém enquanto insistirmos em bater nas mesmas teclas acabamos perdendo a oportunidade de 'inovar'.
Utilizar melhor o solo não é apenas bom para o produtor em si, mas é de suma importância para a manutenção da biodiversidade e da resiliência ambientais, pesquisas demonstram que ao mesmo tempo em que a agricultura 'moderna' evoluiu, a extinção da biodiversidade cresceu freneticamente, a níveis alarmantes, podemos enfrentar uma crise sem precedentes na historia moderna devido a nossa falta de compreensão do funcionamento natural. Por sorte estamos evoluindo, mas ainda é necessária muita luto e muito estudo de modo a tornar essas informações acessíveis aqueles que mais interessam.
No entanto, com o passar dos anos, a utilização intensiva desses insumos químicos acabou gerando problemas ambientais e de saúde pública. O uso excessivo de agrotóxicos pode contaminar o solo e os recursos hídricos, além de causar problemas de saúde para os trabalhadores rurais e para a população que consome alimentos contaminados.
Além disso, a monocultura intensiva também é um fator que contribui para a perda de biodiversidade e para a degradação do solo. As culturas são selecionadas por sua alta produtividade e rentabilidade, muitas vezes ignorando-se as necessidades do ecossistema local.
Felizmente, existem alternativas mais sustentáveis e regenerativas de produção agrícola, como a agroecologia e a agricultura regenerativa, que buscam integrar os sistemas produtivos com os ecossistemas locais e promover a diversidade biológica e cultural. Esses modelos de agricultura podem ajudar a melhorar a qualidade do solo, aumentar a produtividade, reduzir a dependência de insumos químicos e gerar alimentos mais saudáveis e nutritivos.
Em suma, a utilização inadequada das terras e os métodos de produção intensivos têm contribuído para a degradação do solo e a perda de biodiversidade. É importante repensarmos nossos modelos de produção agrícola e buscarmos alternativas mais sustentáveis e regenerativas, para garantir a segurança alimentar e a saúde do planeta e de suas populações.