01/04/2019
Vale do Assu, atualmente, município do Exú/PE e adjacências, era um território dominado por diversas tribos indígenas. Porém, a invasão branca a este lugar teve princípio pouco tempo depois da expulsão dos holandeses do território brasileiro. Isto provocou uma migração em massa de grupos indígenas chamados de tapuias (que não pertenciam ao tronco tupi: Cariri, Jucá, Humã, Assu, Calabaça, Janduim, Paiacus, etc.) para as imediações da Chapada do Araripe, principalmente pelo fato de estes terem sido aliados dos ditos holandeses e, por isso, estavam fugindo da vingança de seus inimigos, portugueses e tupis. O mais antigo registro de propriedade da área data do dia 22 de julho de 1658, quando o então governador da capitania de Pernambuco, André Vidal de Negreiros, herói da Guerra Holandesa, doou uma área imensa à família Garcia d'Ávila, residentes na Casa da Torre, na BA (hoje, Praia do Forte). Esta concessão abrangia toda a "Serra do Araripe". Ocorre que os d'Ávila, em decorrência da resistência armada dos índios "bárbaros", não conseguiram dominar totalmente o território que lhes havia sido doado. Neste mesmo Vale do Assu, por volta de 1663, várias batalhas foram travadas no Riacho das Contendas entre os tapuias e Francisco Rodrigues de Carvalho, o qual veio a se casar com uma filha ilegítima do poderoso Francisco Dias d'Ávila, Joana d'Ávila de Figueiredo. Como dote, o sogro concedeu ao casal 16 léguas de terras de comprido. A herdeira única desta área foi Brígida Rodrigues de Abreu, razão porque o Riacho das Contendas passou a ser chamado de Riacho da Brígida. Ocorre que os donos da Casa da Torre vieram a arrendar uma faixa de terra ao português de Freixeiro Leonel de Alencar Rego, onde ele instalou a Fazenda Caiçara, por volta de 1710. Acrescente-se que a mãe de Bárbara de Alencar, Teodora, era filha adotiva da citada Brígida Rodrigues. Uma antiga tradição oral, contada em meados dos 1800, reza que Leonel travou luta com os indios Ansus e Caracuins, a qual atingiu a quarta geração de seus descendentes, quando os índios José Angelim e sua companheira se lançaram nus aos pés de Luís Pereira de Alencar (pai do Barão do Exú) pedindo perdão. O derradeiro índio Caracuim foi Pascoal Rodrigues, falecido pouco antes de 1859. Essa história continuará em outro post (Foto e texto: Heitor Feitosa Macêdo).