30/03/2020
Minas Gerais, a Saúde, o Covid, e o covarde do governador
Nesse exato momento, o governador Romeu Zema, Partido Novo, está preparando medidas para reabrir o comércio e várias atividades não essenciais, desrespeitando as orientações da Organização Mundial de Saúde e de vários infectologistas, que orientam o isolamento social ou quarentena total frente ao avanço das infecções do Convid-19, e ao aumento do número de mortes. Caso isso se confirme, o governo de Minas terá uma postura criminosa, pois colocará o conjunto da população sob risco de morte. Ele se alinha com declarações e a campanha, também criminosas de Bolsonaro, “o Brasil não pode parar” e cede às pressões de grandes empresários que preferem deixar as pessoas morrerem. Não podemos permitir isso!
Zema vai na contramão dos esforços de vários países e especialistas no sentido de impedir que aumentem no número de mortos. Temos o forte exemplo da cidade de Milão, na Itália, onde o prefeito da cidade fez exatamente a mesma coisa, afrouxou o isolamento, e o resultado é que até agora quase 6 mil pessoas morreram. Em toda a Itália já são mais de 10 mil mortos.
Além disso, o governo mineiro, com a cumplicidade dos prefeitos Kalil (BH), Alex de Freitas (Contagem), Medioli (Betim) e outros, mantém as grandes empresas em funcionamento, como Valourec, Vale, CSN, e outras, com milhares de trabalhadores e trabalhadoras e nossas famílias, correndo enormes riscos de morte.
Zema governa para os ricos!
Mas não é de hoje que Zema vem demonstrando sua completa incapacidade para governar e sua cumplicidade com crimes dos poderosos, como da Vale, e a falta de respeito com o sofrimento dos mais pobres.
Frente ao crime da Vale em Brumadinho, onde foram mortos 272 trabalhadores e moradores da região, Zema, chegou a dizer que era uma “fatalidade”, defendeu a retomada da produção, mesmo sem as devidas precauções e segurança. O governo virou um escritório de defesa da empresa e seus executivos e abandonou as famílias das vítimas.
Com as chuvas do início do ano e a morte de cerca de 55 pessoas, além dos mais de 50 mil desabrigados, vítimas das enormes desigualdades sociais do Estado, mais uma vez Zema, foi desrespeitoso diante da dor e do sofrimento das famílias dos que morreram. Em entrevistas, responsabilizou as vítimas pelas mortes, mostrando insensibilidade, tirando a responsabilidade do Estado e de seu governo frente a essa tragédia.
Mas enquanto Zema, de maneira covarde, culpa as vítimas da chuva e abandona as famílias vítimas dos crimes da Vale, se mantém fiel aos grandes empresários, fazendo de tudo para que estes continuem com seus benefícios e lucros. Assim, mantém uma política de isenções fiscais para grandes empresários e cortes nos serviços públicos. Justamente recursos necessários para construir uma infraestrutura melhor para o atendimento da população. Mesmo com os alertas dos servidores sobre o déficit de leitos e as precárias condições de trabalho, ele segue a cartilha dos poderosos.
Zema não defende o trabalhador informal, pequenos comerciantes e pequenos empresários
A campanha criminosa de Bolsonaro e sua quadrilha de milicianos tenta jogar toda uma camada de pequenos comerciantes, pequenos empresários, e milhões de trabalhadores informais, que vivem de bicos, contra a maioria da população. Esse mesmo governo que destinou R$ 1,2 trilhões para banqueiros e queria dar R$ 200,00 para o trabalhador informal, que posteriormente o congresso mudou para R$ 600,00. O que é insignificante para uma família se manter. Até agora sequer anunciou a isenção das taxas de água e luz para toda a população.
Além de ser parte do grupo de grandes varejistas do Estado e se alinhar aos donos da Havan, Riachuelo, Madero e outros, Zema está à frente do governo de Minas e poderia muito bem abrir os cofres do Estado para os trabalhadores informais e pequenos empresários. Mas prefere seguir na defesa dos interesses dos mesmos de sempre: as mineradoras e banqueiros.
Os pequenos comerciantes e pequenos empresários são justamente os que podem perder tanto quanto a classe trabalhadora com um surto de mortes e contaminações da Covid19. Perdem também com a inépcia de Zema e Bolsonaro. Por isso devem buscar aliar-se aos trabalhadores e cobrar medidas eficazes para a crise, como o programa que apresentamos abaixo.
Fora Bolsonaro e Mourão! Fora Zema! Greve Geral em defesa da vida!
Com essa postura de se alinhar a Bolsonaro, reproduzindo sua política criminosa, Zema será responsável pelas mortes que ocorrerão. A própria declaração já é um escárnio e uma irresponsabilidade. Por isso, o PSTU entende que, da mesma forma como devemos derrotar e derrubar Bolsonaro e Mourão, também se faz necessário derrubar Zema.
É uma necessidade frente a possibilidade de acontecer uma enorme tragédia para a população mineira. Com a negativa do governo Zema de decretar o isolamento social e a ameaça de voltar a funcionar vários setores, os trabalhadores e o conjunto da população devem buscar o caminho da mobilização e convocar os seus sindicatos e organizações a decretar a greve geral em defesa da vida.
Um programa para enfrentar a crise em defesa da vida e da classe trabalhadora
O PSTU defende que para enfrentar a crise é preciso em primeiro lugar decretar em todo o Estado o isolamento social. Somente devem funcionar, nesse momento, os setores essenciais. Neste sentido, é preciso concentrar todos os recursos públicos e privados para enfrentar a pandemia e impedir a morte de milhares de pessoas.
1) Quarentena social imediata. Parar todas as fábricas, minas, e serviços não essenciais.
2) Testes gratuitos para toda a população
3) Ampliação da rede hospitalar do SUS com a incorporação de toda a rede dos hospitais privados a um comando centralizado de leitos
4) Construção de UTI em hospitais em regime de urgência
5) Distribuição gratuita de álcool em gel, máscaras e medicamentos para a população
Além disso, defendemos um programa econômico que vá no sentido de enfrentar tanto a crise provocada pela pandemia, quanto para os graves problemas sociais que já colocavam parte da população no desemprego e miséria:
- Nenhuma demissão. Estabilidade no emprego para todos os trabalhadores.
- Licença remunerada: manutenção dos salários de todos os trabalhadores
- Pagamento de 2,5 salários mínimos para quem não tem carteira assinada e para todos os desempregados
- Isenção de pagamento de luz, água e aluguel
- Apoio ao pequeno proprietário e aos pequenos negócios, com isenção de impostos e crédito a juros zero.
Além disso, defendemos um programa para retirar recursos dos grandes banqueiros e empresários:
1) De onde tirar os recursos para o plano de emergência?
2) Suspensão imediata do pagamento dos juros da dívida pública enquanto houver necessidade de combater a pandemia.
3) Estatização do sistema financeiro em um banco único, com empréstimo a juro zero; Estatização da Vale, CSN, e das maiores empresas do Estado.
4) Proibir a fuga de capitais e a remessa de lucros para o exterior.
5) Utilizar os US$ 350 bi da reserva internacional do Brasil no combate à pandemia e à catástrofe social