27/01/2016
FEVEREIRO, é do Mar, é de YEMANJÁ
“O Brasil é banhado em suas costas pelo Oceano Atlântico, desde o Cabo Orange até o arroio Chuí, no Rio Grande do Sul, percorrendo 7.408 km, podendo chegar aos 9.198 km, levando em conta suas praias, falésias, lagunas e reentrâncias litorâneas”
Yemanjá, Yemasá, Odoyá, Sereia, Janaina, senhora dona dos oceanos e mares, no Brasil reina absoluta e sua festa mais popular acontece em 2 de Fevereiro.
Em nosso estado, não é diferente, contamos com festas tradicionais, em Rio Grande, Pelotas e São Lourenço, no Litoral Sul.
Em Tramandaí, Cidreira, Pinhal, Magistério, na chamada Costa do Sol, no Litoral Norte e na capital do estado, Ilha dos Marinheiros, na orla doce de Porto Alegre, tem homenagem para a Deusa do Mar, movimentando milhares de pessoas, fiéis, vestidos de azul e branco.
Conta uma das suas lendas que juntamente com Odudua, a terra, Yemanjá é considerada o princípio de tudo. A ela pertence todas as areias do mar, todas as águas salgadas. É o mar que energiza o planeta, que umidifica a terra, e também o maior cemitério do mundo.
Representa o movimento rítmico, as coisas cíclicas, o que se refere infinitamente, as profundezas do inconsciente, a força contida, o equilíbrio.
Yemanjá, teve quatro filhos de sua união com Oxalá, a criação, sendo eles, Xangô, Exú (Bará), Oxóssi e Ogum, filhos criados, a Deusa sente-se sozinha e abandonada, ela decide “correr mundo” e chega a Okeré sendo lá admirada e adorada por sua meiguice, beleza e inteligência e até mesmo o rei por ela se apaixonou e desejou que ela se tornasse sua mulher.
Porém, tal coisa não estava em seus planos, Yemanjá fugiu, mas foi perseguida pelos exércitos de Alafin e, durante a fuga, foi encurralada por Okê (as montanhas). Então, Yemanjá caiu, e na queda cortou seus enormes seios, de onde nasceram os rios.
Assim, segundo alguns mitos, Yemanjá também é mãe de Yansã, Oxum e Obá e por representar o inconsciente, ela é a “dona das cabeças”, a dona do Ory, por entender ser ela o equilíbrio necessário para lidar com as nossas emoções e desejos inconscientes.
Senhora de muitas tradições, também conhecida como Inaê-Mukuna, é a deusa Saialá dos Bandos. É Micaia, dos povos da nação Angola, na Umbanda conhecida como Yemanjá, representando a esposa de Oxalá, mãe de todos os Orixás.
Nas várias regiões deste País, ela possui várias nomes: Yemanjá Ogunte, Yemanja Soba, Dandeluanda, Inaê, Abê, Sereia do Mar, Princesa do Alocá, Axoquê (Culto dos Malês), Dona Maria, Mãe Dandá, Marabô, Olokun, Omaloku, Calunga, Caja e Cayala.
Suas qualidades e características como Deusa, tem na tradição de cada lado algumas diferenças de rituais e ebós (oferendas) recebidas, bem como suas cores, flores, perfumes, ervas e cânticos.
Sua cor, é o azul e branco, em algumas tradições o verde claro, seu dia da semana, sexta-feira ou sábado, seu elemento: o mar.
Presentes prediletos: flores, colar, espelho, perfume, pente, sua canjica branca com cocadas, camarão com coco, peixe, arroz, milho branco.
Personalidade de suas filhas ou filhos: Protetoras, preocupam-se com os outros, maternais e sérias, rigorosas, voluntariosas, fortes, altivas e algumas vezes impetuosas e arrogantes. Gostam de ser respeitadas, são justas e formais. Tem a característica de por a prova suas novas amizades. Gostam de luxo, das fazendas azuis e vistosas, das joias caras, sinceras. Quando perdoam uma ofensa o que custam a fazer, cuidado, não a esquecem jamais.
Salve Odoyá, axé!
Imagem: Acervo de Claudia Krindges Fanpage, a quem agradeço, axé!