26/07/2025
Sempre fui uma pessoa politicamente exposta, conhecida por minhas opiniões firmes e, muitas vezes, polêmicas. Nunca me calei diante da atual gestão ou dos gestores em quem eu via falhas. Fui movido por um senso de justiça e, admito, muitas vezes influenciado por uma enxurrada de notícias – nem sempre verdadeiras – que despertavam em mim uma grande revolta.
Mas a vida, com o tempo, ensina. E talvez a maior lição que aprendi seja essa: somos pó, e ao pó retornaremos.
Fui sempre ativo, independente, cheio de energia. Hoje, vivo dias extremamente difíceis. A retinopatia me tirou quase toda a visão. Aquilo que meus olhos enxergavam com tanta clareza e opinião, agora se esvai em sombras.
Sempre fui bom de garfo. Comida era um prazer. Hoje, com a gastroparesia diabética, tudo o que como me faz mal. Comer, que antes era um momento de alegria, virou um desafio diário.
E a água… como eu amava beber água! Era raro me ver sem um copo nas mãos. Mas agora, meus rins não funcionam mais. Não posso mais beber água à vontade. Quando a sede aperta, preciso calcular cada gole. E, nesses momentos, a saudade dos dias simples – em que matar a sede era apenas isso – me rasga por dentro.
A vida pode mudar num piscar de olhos. De alguém cheio de si, de sonhos e opiniões, hoje sou uma pessoa dependente, doente, e tomada por saudades de um tempo que não volta mais.
Minhas limitações de saúde me afastaram do trabalho e, junto com ele, de uma das minhas maiores paixões: a Assistência Social. Minha renda despencou, enquanto os custos com tratamento aumentaram drasticamente.
É por isso que hoje venho aqui fazer um apelo aos nossos governantes: peço ajuda para conseguir uma vaga para hemodiálise em Betim, pelo SUS. O tratamento particular é caro, e a Unimed, infelizmente, não possui prestadores em Betim. Tenho que me deslocar para outro município usando transporte por aplicativo – um trajeto longo e exaustivo. Quase sempre volto vomitando, tonto, extremamente indisposto.
Essa é a minha realidade. Não escrevo para causar pena, mas para pedir respeito, empatia e ação. A saúde é um direito. E hoje, mais do que nunca, preciso que esse direito seja garantido.