26/05/2024
Por Patrícia Bastos/ 7Segundos
Arapiraca conta atualmente com 579 leitos hospitalares para atender pacientes pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Apesar de a proporção de 2,46 leitos por mil habitantes estar dentro da média para o Brasil, não leva em consideração que o município é referência em atendimento de alta complexidade, cardiologia e oncologia para outros 45 municípios que integram a 2ª Macrorregião de Saúde, além de ser a principal referência cirúrgica para a 7ª Região de Saúde e, ainda, alguns outros municípios da 8ª Região de Saúde, que enviam recursos com esta finalidade para Arapiraca.
Todas as populações que dependem de leitos hospitalares em Arapiraca somadas ultrapassam um milhão de pessoas, todas elas para dividir um total de 579 leitos. A proporção de leitos por grupos de mil habitantes é de apenas 0,5, muito abaixo do que é preconizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que define como ideal a proporção de 3 a 5 leitos hospitalares para cada de mil habitantes.
Com uma proporção tão pequena de leitos, não se pode considerar surpresa que aconteça eventualmente superlotação, com pacientes internados ou em observação nos corredores das unidades hospitalares.
O excesso de demanda em determinada unidade hospitalar, de acordo com Regulação Hospitalar e Ambulatorial e com a Rede de Urgência e Emergência de Arapiraca, acontece também por outros fatores além do número de leitos disponíveis naquele momento.
De acordo com a coordenadora da Regulação Hospitalar e Ambulatorial Sônia Mércia da Silva, com a regulação de leitos funcionando sete dias por semana, das 7h às 19h, quando as unidades trabalham de forma organizada, conseguem na maioria dos casos evitar a superlotação, acionando a regulação para destinar pacientes para leitos em outros hospitais.
"Quando o hospital mantém o cadastro atualizado, a gente consegue redirecionar o paciente a tempo de evitar que aconteça a superlotação", explica, informando que, em casos específicos - como os de alta complexidade - é possível regular os pacientes para Maceió.
Outro fator, segundo a coordenadora da Rede de Urgência e Emergência, Pollyana Patrícia Vasconcelos de Almeida Lopes, é que em muitos casos o paciente que procura um hospital deveria ser atendido em ambulatório.
"Quando alguém em casa está doente, a primeira coisa que se pensa é em levar a pessoa para a UPA ou para o Hospital Regional, mesmo quando é um caso que poderia ser resolvido no posto de saúde. Há também as pessoas que, seja porque não tiveram um diagnóstico, ou porque negligenciam seus problemas de saúde, acabam sendo hospitalizadas porque não estão fazendo tratamento para suas doenças crônicas corretamente", explica.
Além disso, há também o fato de, quando o paciente "passa pela porta" de uma unidade hospitalar, ele só pode ser liberado quando a sua situação de saúde for resolvida. Por conta disso, os hospitais precisam atender até mesmo aqueles pacientes que deveriam ser atendidos na rede básica.