31/03/2026
Segundo Butler (2001: 5), define a sazonalidade como: "desequilíbrio temporal no fenômeno turístico, que pode ser expresso em termos das dimensões de elementos como o número de turistas, despesas dos visitantes, todos as formas de transportes, emprego e acesso às actrações".
Ou seja, a sazonalidade no turismo é a variação do número de turistas num determinado destino ao longo do ano, ocorrendo em períodos específicos: altos e baixos.
De forma simples, há épocas em que chegam muitos turistas e outras em que o movimento é fraco.
Alta temporada, onde há grande procura, ex: férias, festas, clima favorável)
Baixa temporada: pouca procura, como exemplo: período escolar, ausência de eventos, inflação vs custo de vida do potencial visitante, clima desfavorável, etc)
Ora, a nossa realidade (Cuanza Sul), é bom lembrar que 90% dos visitantes são não residentes, ou seja, preferencialmente vêm de outras províncias, com destaque para Luanda.
Temos em primeira estância enumerar factores que podem configurar em época alta:
1. As festas: Festicuanza Sul: Festisumbe; FPorto Amboim; FGabela; FBoa Entrada; FQuibala; FWaco; FEbo; FCalulo; FSeles; FConda; FGangula; FLonhe; FPambangala; FCassongue; FMussende; FQuilenda; FGungo; FMunenga;
2. Outros eventos estatal e privado (Conselhos Consultivos; Fóruns; Simpósio).
3. Finais de semana prolongado.
Na contra-mão, temos elementos que por si só factíveis da época baixa: poder de compra dos potenciais visitantes; altos preços dos serviços; factores climáticos; mudança dos gostos e preferências dos visitantes; ausência de eventos, etc.
Se, como disse anteriormente, 90% dos visitantes são não residentes, então, há que analisar internamente o que se passa com os visitantes residentes. Por que razão, não usufruem dos serviços turísticos? Diz-se em hotelaria que um quarto não vendido hoje, não pode ser armazenado para vender amanhã. É exactamente aí onde entra a gestão hoteleira, que tem por missão, vender a quantidade certa da capacidade disponível ao bom cliente ou visitante, no bom momento e a um preço óptimo.
Segundo Sancho et al. (1998: 310-311), diz que a gestão de rentabilidade (Yield Manegement)... consiste em "aplicar diferentes tipos de tarifas segundo o tipo de procura em questão, atendendo às suas características e comportamento, visando a maximização da ocupação quando a oferta excede a procura".
Na gestão hoteleira em que o destino turístico é marcado com forte impacto da sazonalidade, como a nossa província, é fundamental segmentar o mercado, com vista a atingir diferentes públicos alvos, de acordo ao contexto sócio-econômico.
Não faz sentido permanecer com preço alto de um quarto, quando está num período de época baixa, fruto da dependência de visitantes não residentes, porque os custos operacionais existirão mesmo que um quarto esteja fechado ou não utilizado: Custos com pessoal;
Custos de manutenção;
Custos de utilidades (água, energia, gás, internet);
Custos de alimentação e bebidas (F&B);
Custos de limpeza e lavandaria;
Custos administrativos;
Custos de marketing e vendas;
Custos de segurança.
Algumas medidas importantes para que os efeitos do fenômeno sejam contornados:
1- Redução da inflação cujo impacto directo sente-se no bolso do cidadão-potencial visitante;
2- Estimular os visitantes residentes a consumirem os produtos turísticos, com preços adaptados ao contexto sócio-econômico;
3- Segmentação de mercado turístico;
4- Promoções e políticas de preços na época baixa;
5- Campanhas digitais segmentados;
6- Criar eventos na época baixa.
Por: Kiluanjekiassamba.✍🏾