26/08/2026
POSIÇÃO PÚBLICA SOBRE OS ACONTECIMENTOS NO CAZOMBO, PROVÍNCIA DO MOXICO LESTE.
O PRA-JA SERVIR ANGOLA acompanha com profunda preocupação os acontecimentos registados no Cazombo, Província do Moxico Leste, em torno das cerimónias fúnebres do Rei da etnia Lunda-Ndembo, Benjamin Chinhama (Chinuque).
De acordo com as informações que nos chegam, após desentendimentos entre o Governo Provincial e os responsáveis da referida etnia quanto ao local destinado ao sepultamento do Rei, o caixão de Benjamin Chinhama terá sido desenterrado pelas autoridades policiais, numa situação que acabou por gerar tensão e confrontos.
Chegam-nos ainda outras informações preocupantes sobre cidadãos que estarão desaparecidos ou alegadamente raptados, bem como sobre pessoas que, por receio de represálias e pela insegurança que dizem sentir, estarão a abandonar as suas comunidades e a procurar refúgio na vizinha República da Zâmbia. O PRA-JA SERVIR ANGOLA considera estas informações extremamente graves e entende que devem ser imediatamente esclarecidas pelas autoridades competentes, garantindo-se a segurança, a integridade física e os direitos de todos os cidadãos.
Para o PRA-JA SERVIR ANGOLA, uma questão desta natureza exigia, acima de tudo, diálogo, sensibilidade e entendimento entre as partes. As cerimónias fúnebres de autoridades tradicionais não podem ser analisadas apenas numa perspectiva administrativa, pois estão profundamente ligadas à história, à cultura, à identidade e às crenças das comunidades.
Em muitas sociedades africanas, os funerais de reis, sobas e outras autoridades tradicionais estão associados a rituais e práticas tradicionais específicas, que fazem parte da memória colectiva e da identidade cultural dos povos. Por essa razão, qualquer decisão relacionada com o local e a forma do sepultamento deve ser tratada com particular respeito e sensibilidade.
O PRA-JA SERVIR ANGOLA entende que, diante das divergências existentes, era necessário reunir as partes envolvidas e procurar uma solução consensual, capaz de respeitar simultaneamente as normas do Estado, a família e os costumes tradicionais da comunidade. O recurso a actos que acabaram por provocar tensão, confrontos e feridos não constitui a melhor resposta para uma questão que poderia e deveria ter sido resolvida através da concertação.
O Estado tem o dever de garantir a ordem e a segurança, mas também deve saber quando dialogar, quando ouvir e quando procurar soluções que evitem o confronto. Da mesma forma, as comunidades devem procurar defender os seus interesses por meios pacíficos e dentro dos mecanismos legais existentes.
O PRA-JA SERVIR ANGOLA manifesta a sua solidariedade para com todos os cidadãos afectados pelos acontecimentos e apela à serenidade de todas as partes.
Defendemos que os acontecimentos sejam devidamente esclarecidos e que, daqui em diante, prevaleça a capacidade de diálogo entre as autoridades governamentais, as autoridades tradicionais, a família e os representantes da comunidade.
Não podemos aceitar que uma divergência em torno das exéquias de uma autoridade tradicional evolua para uma crise que coloque em risco a vida, a segurança e a dignidade das populações.
O Angola é um país multicultural e a sua riqueza também reside na diversidade dos seus povos, costumes e tradições. Respeitar essa diversidade é igualmente construir uma sociedade mais unida e mais justa.
Luanda, 26 de Agosto de 2026