27/06/2025
Partilho isso com o coração apertado. É mais do que desabafo!
Por: D**o Nível Intelecto.
Não sei vocês, mas eu tenho uma ligação espiritual com o trabalho comunitário que desempenho. A minha vida passou a ter sentido desde o dia que decidi me dedicar exclusivamente em servir a minha comunidade, proporcionando um espaço público de acesso à arte, à literatura, à cultura, ao conhecimento. É como se tivesse encontrado o meu propósito de vida.
Quando mexem na biblioteca, meu coração aperta, minha mente f**a abalada só de saber que o espaço está fechado e sem um horizonte concreto de voltar a desempenhar seu papel social. Essa ligação com o meu trabalho é algo surreal. É o que me motiva a continuar a viver, é o que me encoraja a aguentar as dores de ser angolano.
Eu não queria nunca deixar de fazer o que faço e para quem faço. Mas às vezes bate uma vontade de bazar e nunca mais voltar. Desistir de contribuir para a minha comunidade e meu país, e relaxar noutro lugar do mundo( já me contento com a maravilhosa Nganja) que seja longe dessa selva de insensibilidade institucional.
Às vezes não acredito. Para quem governa, parece fácil fingir demência quanto ao impacto do nosso trabalho. Nem comunicar o início ou o fim de uma obra que condiciona diretamente o nosso desempenho conseguiram. Mas depois penso comigo mesmo: e se nós desistimos disso, quem vai dar suporte às crianças fora do sistema escolar que têm na nossa biblioteca um lugar alternativo pra aprender o ABCD? E se desistimos, será que o governo vai construir um lugar alternativo pra que as pessoas dessa comunidade possam ter acesso gratuito à literatura, à arte e à educação? Quem dará vez e voz aos tantos artistas que têm no nosso palco o lugar onde podem existir e ser ouvidos?
As razões para desistir são imensas: falta de apoios institucionais, falta de reconhecimento e até falta de respeito por parte de quem manda, sem falar das barreiras políticas...